A casa era escura e muito fria, meu coração batia na velocidade da luz. Apressei meu passo enquanto passava a mão nos empoeirados aparadores de madeira escura. O frio icomum me irritava, grandes e antigos livros de medicina ficavam em preteleiras ao lado de caixas de primeiros socorros. Ao meu lado, facas e tesouras reluzentes estavam enfileiradas.
Eu senti algo entrando em meu dedo, e rapidamente tirei minha mão do móvel. Lá estava um bisturi, extremamente afiado e tão reluzente quanto as facas, por sua causa, no meu dedo escorria um filete de sangue.
Olhei a minha frente, e sentado em uma cadeira de plástico nos fundos da casa, estava aquele homem que vem me importunando há muito. Ele sorri pra mim. O que me deixa feliz, pois dentro daquela casa estava realmente muito frio. E acabo de me dar conta de que nunca o vi sem um cigarro na boca. Este levanta de sua cadeira e me diz com uma voz rouca:
-Olá, Eduarda. - Em minha mente eu procurava descobrir como ele sabia o meu nome, será que eu já me apresentei pra ele alguma vez? Alguem já conversou com ele sobre mim? Eu já conversei com ele?
- Olá, você - Era o máximo que eu poderia responder. - E meu nome? -Foi a única coisa que saiu da minha boca, quando na verdade eu queria apenas que ele me respondesse como ele sabia o meu nome.
-Como eu sei o seu nome? - Ele era realmente muito bom em adivinhação.
-É.- Parei para respirar, e continuei dizendo. - Agente já conversou alguma vez? Ei espera ai , voce anda me espionando?
-Bom Eduarda, se alguem anda espionando aqui , ambos concordaremos que não sou eu. - Sua voz era de um fumante nojento. A cada frase, ele dava um tragada no cigarro. E seus olhos pretos me davam frio na barriga.
- Você sabia que eu iria entrar, não é?
-Claro. -Ele sorria pra mim como se algo realmente engraçado estivesse acontecendo.
-Posso te perguntar uma coisa?
-Pergunte, não garanto respostas.
-Qual é o seu nome? - Mesmo tentando não parecer intrometida, eu realmente queria saber seu nome.
-Você não precisa saber. -Disse ele cruzando os braços
-Está bem. - Eu não poderia insistir muito afinal eu estava na casa dele, e de penetra. -É... porque você está sempre fumando? - Em resposta disso, ele tirou o cigarro da boca e o jogou no chão.
-Viu? Não é sempre - Me respondeu risonho
-Porque você não fala com ninguem por aqui?- Ele tirou um pacote de Marlboro do bolso, e hábilmente com a outra mão retirou um isqueiro do bolso e ascendeu um cigarro.
- Eu não não gosto das pessoas por aqui. - Eu realmente me senti ofendida.
-Então é por isso que vem tantas mulheres aqui no meio da noite?- O homem começou a rir frenéticamente, como se eu tivesse falado algo engraçado. Eu me sentia desconfortável, e a porta de vidro abriu, trazendo o vento gelado de dentro da casa. - Por que sua casa é tão fria?
- Vá olhar no freezer Eduarda.
-O que?
-Vá olhar dentro do freezer. - Ele me disse com segurança.
Fui até a cozinha de sua casa. e abri o freezer.Não pude acreditar no que vi lá dentro, aquele líquido vermelho, escorria pelas prateleiras congeladas e chegava no meu pé.
Eu consiguia sentir sua respiração em meu pescoço.
FIM.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Visitas - parte 1
Há muito tempo eu o observava. Esperava saber o que acontecia em sua casa enquanto eu a vijiava. Pouquissímas vezes consegui perceber algo suspeito como, ele ir fumar na soleira da porta, ou aparar a grama, quase todos os dias, mulheres bonitas e bem vestidas entravam em sua casa no meio da noite. Mas nunca houve nada mais interessante que isso. Da janela do meu quarto eu podia vê-lo. Sua casa era em frente a minha.
Já eram três horas da tarde da uma quarta feira infernal. Eu acabara de voltar da escola, e a porta do meu vizinho, estava aberta. Pensei seriamente em entrar na minha casa, ligar o computador e mofar em frente a uma tela LCD de 29 polegadas pelo resto dia ,como eu geralmente faço.
Mas eu sou curiosa, e essa era uma chance única, talvez nunca mais houvesse outra. Muitas pessoas perderiam essa oportunidade por nem perceberem que ela existe, mas eu precisava entrar na casa. E entrei.
Continua.
Já eram três horas da tarde da uma quarta feira infernal. Eu acabara de voltar da escola, e a porta do meu vizinho, estava aberta. Pensei seriamente em entrar na minha casa, ligar o computador e mofar em frente a uma tela LCD de 29 polegadas pelo resto dia ,como eu geralmente faço.
Mas eu sou curiosa, e essa era uma chance única, talvez nunca mais houvesse outra. Muitas pessoas perderiam essa oportunidade por nem perceberem que ela existe, mas eu precisava entrar na casa. E entrei.
Continua.
Marcadores:
casa,
curiosidade,
janela,
medo,
mulheres
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Fotos
Entrei no quarto, uma leve brisa passou por minhas pernas. Não abro aquela porta há muito tempo. Na minha frente, pelas janelas abertas, podia-se ver as ondas do mar molhando a areia. E diferentemente de todos os outros dias que já vivi aqui, hoje estava exepcionalmente frio. E as nuvens faziam questão de rondar o céu , nos olhando com uma expressão brava. De alguma maneira, elas não precisavam de ninguem hoje.
Nas paredes pintadas de um azul claríssimo, notava-se três delicadas flores desenhadas em branco. Tudo planejado no mais minucioso detalhe, em cima da comôda branca , estavam os três pequenos e silênciosos porta retratos. Algo que nunca fez o menor sentido, mas que ainda assim não sai de lá. Algo que eu custo a lembrar, algo que me forçam a olhar, algo que já não me interessa mais.
No primeiro porta retrato, as três mulheres de uniformes brancos e cruzes vermelhas em seus bolsos me davam ânsia. Seus rostos de espanto, suas botas brancas batendo no chão frio , as paredes de vidro, cortinas brancas, lençois brancos. E a minha frente, dois enormes olhos azuis, olhos com medo, louros cabelos ralos e um rosto macio.
No segundo porta retrato havia uma familia. Estavam todos de costas, eles andavam na praia, o que me entrigava, eram os passos grandes e apressados que eles davam. O homem carregava uma criança no colo, a luz do pôr do sol iluminava seus corpos. E a mulher da imagem também aparentava querer saber quem eram aquelas pessoas ,assim como eu.
No último porta retrato também havia uma familia. Mas eu podia ver perfeitamente bem os seus rostos, mas aquilo nada me lembrava. Estavam todos ao lado de uma balança em um parque. O bebê estava sendo balançado pelo homem, e a mulher estava sorrindo. Todos pareciam felizes. E ainda assim nada que eu me sinta familiar.
Toda vez que olhos para essas imagens, é como se fosse a primeira vez. Nada nelas me faz sentir algo, nada nelas me faz sentir amor.
Saí de perto da comôda ,e fui ao lado do berço de madeira branca que está sempre coberto por uma renda clarissíma. Joguei aquela renda no chão e passei a mão pelos minúsculos e macios cobertores beges que estavam ali. Peguei o papel amarelado que estava guardado e li a palavra Óbito. O vento leva o papel de minhas mãos.
Um homem abre a porta do quarto, reparo que ele é muito parecido com o homem dos portas retrato, um tanto quanto mais velho, apesar de muito parecido. Esse homem vem e me abraça ,lágrimas saem dos seus olhos, e ele me leva pra fora do quarto. Olho novamente para as fotos, se algo vem a minha mente? Não. Mas quem sabe da próxima vez
Nas paredes pintadas de um azul claríssimo, notava-se três delicadas flores desenhadas em branco. Tudo planejado no mais minucioso detalhe, em cima da comôda branca , estavam os três pequenos e silênciosos porta retratos. Algo que nunca fez o menor sentido, mas que ainda assim não sai de lá. Algo que eu custo a lembrar, algo que me forçam a olhar, algo que já não me interessa mais.
No primeiro porta retrato, as três mulheres de uniformes brancos e cruzes vermelhas em seus bolsos me davam ânsia. Seus rostos de espanto, suas botas brancas batendo no chão frio , as paredes de vidro, cortinas brancas, lençois brancos. E a minha frente, dois enormes olhos azuis, olhos com medo, louros cabelos ralos e um rosto macio.
No segundo porta retrato havia uma familia. Estavam todos de costas, eles andavam na praia, o que me entrigava, eram os passos grandes e apressados que eles davam. O homem carregava uma criança no colo, a luz do pôr do sol iluminava seus corpos. E a mulher da imagem também aparentava querer saber quem eram aquelas pessoas ,assim como eu.
No último porta retrato também havia uma familia. Mas eu podia ver perfeitamente bem os seus rostos, mas aquilo nada me lembrava. Estavam todos ao lado de uma balança em um parque. O bebê estava sendo balançado pelo homem, e a mulher estava sorrindo. Todos pareciam felizes. E ainda assim nada que eu me sinta familiar.
Toda vez que olhos para essas imagens, é como se fosse a primeira vez. Nada nelas me faz sentir algo, nada nelas me faz sentir amor.
Saí de perto da comôda ,e fui ao lado do berço de madeira branca que está sempre coberto por uma renda clarissíma. Joguei aquela renda no chão e passei a mão pelos minúsculos e macios cobertores beges que estavam ali. Peguei o papel amarelado que estava guardado e li a palavra Óbito. O vento leva o papel de minhas mãos.
Um homem abre a porta do quarto, reparo que ele é muito parecido com o homem dos portas retrato, um tanto quanto mais velho, apesar de muito parecido. Esse homem vem e me abraça ,lágrimas saem dos seus olhos, e ele me leva pra fora do quarto. Olho novamente para as fotos, se algo vem a minha mente? Não. Mas quem sabe da próxima vez
Assinar:
Postagens (Atom)