terça-feira, 27 de julho de 2010

Pianinho - Capitulo 1

A casa estava silenciosa, era sábado de manhã e Line já se acostumara com isso. Há quase seis anos seus pais só aparecem em casa à noite e levantam muito cedo para trabalhar, algo que Line sempre achou muito inútil, afinal, eles já viviam muito bem. Mas a solidão foi algo que ela se acostumou, “Não é possível sentir falta de alguém que não se conhece” era isso que Line dizia pra si mesma. Os corredores brancos estavam impecavelmente limpos, como sempre. Line pega o dinheiro que estava em cima da mesa, calça suas botas e sai porta a fora.


A menina põe as mãos nos bolsos do casaco, fazia muito frio em São Paulo, e desacostumada Line saiu de casa sem luvas. Uma forte brisa batia em seu rosto, a fazendo fechar os olhos.

Enquanto andava pelas ruas, ela observava um casal que andava em sua frente há algum tempo. Eles estavam de mãos dadas, e o frio não parecia os incomodar pois estavam tão felizes rindo de alguma coisa. Line sentia uma ponta de vontade de perguntá-los o que era tão engraçado, mas algo a dizia que isso não seria muito educado. A garota vira a esquina e entra na estação de metrô.

Suas mãos estavam tremulas como sempre, isso acontecia todo sábado antes de chegar ao seu destino. Ela estava sentada, e podia ouvir o que o homem ao seu lado escutava pelos fones de ouvido, os rostos de todas as pessoas lá presentes, estavam tristes e apagados. Line já estava preparada para o que aconteceria em breve.

Ao sair da estação, um vento forte machucava seu rosto. E a garota prestava atenção nas pessoas ao seu redor, o frio a fazia querer voltar para casa, mas ela tinha seu compromisso. Nada a faria recuar.

Andou por alguns minutos nas ruas daquele bairro muito bem conhecido. E ao parar em frente a uma enorme casa branca sem portão algum mas muito bem escondida pelos grandes arbustos podados, ela anda jardim a dentro e cessa em frente a uma grande porta branca de maçaneta dourada.

Vagarosamente Line colocou a mão na capainha e a pressionou. Como de costume nada acontecera, nenhum movimento dentro da casa, nem ao menos uma lâmpada acendera. A garota já havia se preparado para sua longa jornada em frente aquela porta apertando a campainha. Ela não desistiria, já estava acostumada em ficar esperando do lado de fora daquela casa. O frio já não a incomodava, e ela não estava cansada, sabia que em algum momento ele desistiria. E assim se fez, após alguns minutos apertando a campainha freneticamente, o garoto cedeu e foi abrir a porta para que Line pudesse entrar em sua casa.

continua...

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